domingo, 9 de setembro de 2007

Em busca de motivações

Não é novidade que toda ação humana é movida pela paixão, seja ela, no dizer de S. Francisco Sales em seu Tratado do Amor de Deus, paixão de vida ou paixão de morte... Desvinculemos, aqui, paixão da relação afetiva que une os seres, e a entendamos como força motriz, motivação para a execução de toda e qualquer atividade, da mais simple a mais complexa... Por isso dizemos: "A Paixão de Cristo", e não necessariamente porque Ele nos amava afetivamente (e Ele amava), mas designando a motivação para levar a cabo a vontade de Deus e seus desígnios em salvar-nos; somente uma paixão viva era capaz de fazer um ser humano a suportar tamanhas humilhações e dores.
Como motivação, as paixões estão no cerne da alma humana, impulsionando toda e qualquer ação, para o bem o para o mal.
Não obstante nós, seres humanos em geral, nos habituamos a condicionar nossas motivações (paixões) a elementos e estímulos externos, tornando essa motivação suscetível a inconstância do objeto ou ser que o gera. Assim compomos nossa personalidade de inconstâncias, e o que move nosso ser agora, a ponto de valer nosso sangue, em um segundo já não fará mais sentido, porque não estava baseado em convicções.
Eis aí o grande problema de nós cristãos.
Como Igreja, congregamos um grupo humano nada homogêneo onde estão em jogo uma diversidade incrível de ideias, intenções... E é justamente a esse caleidoscópio de inconstâncias que costumamos vincular a nossa motivação. Daí, não é difícil entender tantas deserções, discórdias e justificativas para não se ter fé e congregar. "Fulano só quer aparecer..."; "Vi no jornal que prenderam um sacerdote pedófilo..."; "A irmã passou, falou com todo mundo e não falou comigo..."; "eu me esforço, esforço e o padre nunca me elogia..."; ... É POR ISSO QUE NÃO VOU MAIS A IGREJA!!!
Tudo bem, embora pareçam besteiras, essas coisas dizem às emoções da gente; e existem ainda contradições bem mais sérias como calúnias e perseguições; mas vale a pergunta: Onde está o Evangelho de Cristo nessa muvuca toda?
Penso que, se vincularmos nossas paixões (motivações) a Cristo, nele baseando nossas convicções, essa ou aquela circunstância não vai nos abalar, e assim seguiremos mais constantes e seguros em busca da plenitude humana a que Ele nos convida.
Fico a pensar ainda na motivações dos mártires... nesse pensamento me encanto e me perco...
Não tenho segurança quanto a se fui claro...
De forma mais pessoal: Essa é a razão primeira desse retiro: encontrar motivos dentro; encontrar as motivações para amar e servir a Deus dentro, baseadas numa relação íntima e indissolúvel com Ele. Assim pretendemos conquistar um pouco mais de constância, segurança e paz.
Bem o dizia São Paulo da Cruz ao nos apresentar a imagem do bebê ao seio da mãe; melhor seria que ficasse quietinho, mas diante dessa impossibilidade, de pouco importa o alvoroço e instabilidade das perninhas e bracinhos, sempre em movimento, se se mantém unido e a sorver o leite da mãe; semelhante é a relação da alma movida de paixão por Deus: de pouco importa as instabilidades do meio se está unida a seu esposo e põe nele sua paixão (motivação).
Sob essa perspectiva, iniciamos no dia 30 de julho, à hora da misericórdia, com a celebração eucarística e benção ministrada pelo Pe. João Paulo, a vida religiosa como um estado interior e voto pessoal. Mas diante da infecundidade de se viver o amor de Deus no egoísmo, nos preparamos para viver a vida religiosa de fato junto a irmãos e sob o carisma da Companhia da Paixão de Cristo (passionistas), que nos acolhem e auxiliam em reflexões, carinho e oração.
É mais ou menos isso o que estamos tentando aprender nesse deserto.
Asseguro: vale a pena, vale muito a pena esse exercício de paixões e essências.
Um abraço quentinho e um grande beijo na bochecha direita.

2 comentários:

Michelle Dias disse...

Oi, amigo, tudo bem por aí?
Ah, sim, claro que vai, não é?
Afinal, temos uma excelente novidade de vida!!! Risos...

Eita, esse seu texto, hein?!
Não é qualquer mente que o absorve não!!! Vê se da próxima vez escreve umas coisinhas de mais fácil assimilação, onde os menos dotados de inteligência, como eu, possam degustar melhor!!!! Risos...(brincadeirinha)

Amei, meu irmão. Foi tão bom refletir à leitura de seus escritos. Sei que, num futuro bem próximo, estarei vendo seus livros nas melhores livrarias do Brasil e do mundo, com várias traduções. Pode achar que estou brincando, mas no fundo tem um quê de realidade esse meu desejo.

Tenho paixão por meu sentimento de amizade por você!!!

Que o Senhor Jesus, o mais apaixonado dos Homens, te presenteie com muitas bênçãos e desejo de se doar cada vez mais...

Salinhos disse...

Oi muito legal seu blog fica com Deus que vc desfrute sempre das bençaos que Ele tem para ti!
um grande abraçao do seu amigo!
Amandio!@