quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Anjo e Demônio

Estranho como, no silêncio, as coisas parecem tão evidentes e causam sempre tanta divisão... Ouvimos sempre tantas coisas a que não procuramos o sentido e nem damos o devido valor... Mas no silêncio isso não é possível... E mais, ficamos sempre no pêndulo entre se certos ou errados... Não sei explicar muito bem...

Disse isso para introduzir os efeitos de uma frase que ouvi essa semana:

“Você exige muito das pessoas!”

Que confusão!!! Eu não sabia se me regozijava comigo mesmo ou se tomava “chumbinho” de uma vez e liberava a raça humana da maldição “eu”... kkkkkkkkk...

Dramas e gracejos a parte, essa observação caiu como uma bomba em meu interior, principalmente porque eu já a havia ouvido antes, só que sem dar-lhe atenção...

Senti-me extremamente culpado, como que em situação de supremo desrespeito para com as pessoas, para com o processo natural, e diferente para cada um, de desenvolvimento pessoal. Senti, levando em consideração experiências bem próximas, que talvez não tenha amado as pessoas como elas são; e uma tristeza profunda se apoderou de mim...

Repensei minha postura como educador, de como exigia dos meus alunos o melhor, de como insistia em aprofundar conteúdos, até além do que estabelecido para seus ciclos por conhecer-lhes a capacidade e o maravilhoso potencial que enchia as nossas aulas de questionamentos, exclamações e alegria... (saudades)... Aí veio uma mãe e disse, no ano posterior: “A minha filha, na sua matéria, vivia sempre no limite; agora, na escola “bambambam”, onde deveria ter dificuldades, só tira notas boas...”. Não sei se por desencargo de consciência pensei que talvez essa facilidade se desse ao fato de termos introduzido tantos conteúdos da série posterior, mas veio mais uma vez a exclamação alta e intrigante:

“Você exige muito das pessoas!”

E dói, viu!!! Tenho que dizer...
Talvez isso justifique as dificuldades que tive, ao longo da minha vida, com pessoas de cargos e egos superiores; talvez tenha-lhes exigido demais, solicitando melhorias, ofendendo-os assim em suas tão excelentes imagens de si mesmos...

De fato, nunca me conformei com pessoas de pensamentos pequenos... sonhos pequenos... Sempre lhes reclamei grandes sonhos, desabrochar de dons, mostrar as incríveis almas que carregavam mas que escondiam por ter se deixado oprimir por pressões exteriores ou pequenas derrotas... Estava sempre a fazer pressão contra pensamentos, ações e atitudes medíocres que não condizia com suas capacidades no intuito de fazê-las sempre desejar o melhor de si mesmas...

Assim eu me justifiquei ao que ela retrucou:
“Mas você não pensou que talvez elas fossem aquilo mesmo e estivessem felizes com o que são?”

Aí eu silenciei com um nó enorme na garganta que só agora consigo botar fora...

Passei a imaginar que talvez não tenha exigido de mim mesmo como exigi das pessoas; quis tanto que os outros fossem melhores que esqueci de ser melhor eu mesmo; afrontei a mediocridade sendo eu o mais fiel portador dela...

Agora, fazendo uso desse meio público, por saber terem sido muitas as minhas vítimas e assim não podendo fazê-lo pessoalmente, quero pedir desculpas pelo desrespeito aos seus momentos, aos seus jeitos de ser... e espero, encarecidamente, ser desculpado.

2 comentários:

flaviany disse...

Axu que é um dom ver o melhor das pessoas e exigir que elas nos mostre, esse ser que muitas vezes afogamos em nossos egoismos e ñ percebemos que existe um lindo ser dentro de nós e é so deixar ele florar sem medo de ser feliz. Com amor e gratidão. Bjusss te amo.

Celi disse...

Ajudar as pessoas a dar o melhor de si mesmas, fazê-las descobrir dons que ficavam ocultos simplesmente pq precisavam de alguém que os enxergasse, realmente é uma dádiva.
Não permita que o medo de machucar as pessoas o impeça de ajudá-las.